Programação de encontros e retiros para 2018

Fevereiro

09 a 13/2 – Carnaval

Tema: Emoções

Facilitadores– Emanuelle e Fábio

 

Março

30/3 a 01/4 – Semana Santa e Páscoa

Os jovens, a fé e o discernimento vocacional-

Facilitadora- ir Meire, CSC

 

Maio

28/4 a 01/5  – (Salmos)

Facilitadora – ir Meire, CSC

 

Julho

29/6 a 01/7 – Encontro de espiritualidade para Jovens

Facilitadora – Ir Ana (Irmãs auxiliares do sacerdócio)

 

Agosto

05/8 – Festa do Bom Jesus Luminoso

 

Setembro

03 a 10/9 – Retiro

ir Annette Havenne

 

17 a 19 – Encontro sobre Missão

Facilitadora – Mônica Muggler

 

Quatro propostas para 2018

Primeira proposta: Cavar as fontes da alegria

Assim fala o Senhor: «Amei-te com um amor eterno. Por isso, dilatei a misericórdia para contigo». (Jeremias 31,3)

O Senhor, teu Deus, está no meio de ti: ele exulta de alegria por tua causa, pelo seu amor te renovará. Ele dança e grita de alegria por tua causa. (Sofonias 3,17)

Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos! (Filipenses 4,4)

 Por que a festa da Páscoa é a mais importante do ano?

Em Taizé, todos os sábados à noite, por que a igreja toma um ar de festa, iluminada pelas pequenas velas que todos têm na mão? Porque a ressurreição de Cristo é como uma luz no coração da fé cristã. É uma misteriosa fonte de alegria que o nosso pensamento nunca poderá alcançar até ao fundo. Saciados por esta fonte, todos podemos «trazer dentro de nós a alegria, porque sabemos que, em última análise, a ressurreição terá a última palavra» (Olivier Clément, teólogo ortodoxo).

A alegria, não como um sentimento sobrevalorizado nem como uma felicidade individualista que levaria ao isolamento, mas como a certeza pacífica de que a vida tem sentido.

A alegria do Evangelho vem da confiança de que somos amados por Deus. Longe de uma exaltação que foge aos desafios do nosso tempo, torna-nos ainda mais sensíveis ao sofrimento dos outros.

  • Procuremos a nossa alegria antes de mais com a certeza de que pertencemos a Deus. Uma oração deixada por uma testemunha de Cristo do século XV pode ajudar-nos: «Meu Senhor e meu Deus, retira de mim tudo o que me afasta de ti. Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxima de ti. Meu Senhor e meu Deus, retira-me de mim mesmo e dá-me todo a ti». (São Nicolau de Flue)
  • Alimentemos a nossa alegria na oração cantada em conjunto. «Canta a Cristo até à alegria serena», sugeria o irmão Roger. Quando cantamos juntos, cria-se ao mesmo tempo um relacionamento pessoal com Deus e uma comunhão entre os que estão reunidos. Que a beleza dos lugares de oração, da liturgia e dos cânticos sejam um sinal de ressurreição. Que a oração comunitária desperte o que os cristãos orientais chamam a «alegria do céu na terra».
  • Procuremos também descobrir reflexos do amor de Deus na alegria simples e humana suscitada pela poesia, pela música, pelos tesouros artísticos, pela beleza da criação de Deus, pela profundidade de um amor ou de uma amizade…

Segunda proposta: Escutar o grito dos mais vulneráveis

Senhor, escuta a minha oração e chegue junto de ti o meu clamor! Não me ocultes o teu rosto no dia da aflição. (Salmo 102,2-3)

Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado». (Lucas 10,21)

Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos. Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, porque também vós tendes um corpo. (Hebreus 13,2-3)

 Por que razão tantas pessoas sofrem provações – exclusão, violência, fome, doenças, desastres naturais – sem que as suas vozes sejam suficientemente ouvidas?

Precisam de apoio – abrigo, alimentação, educação, trabalho, cuidados – mas o que é também vital para elas é a amizade. Ter de aceitar ajuda pode ser humilhante. Uma relação de amizade toca os corações: tanto daqueles que precisam como daqueles que demonstram solidariedade.

Escutar o grito de uma pessoa ferida, olhá-la nos olhos, ouvir, tocar naqueles que sofrem, numa pessoa idosa, num doente, num prisioneiro, num sem abrigo, num migrante… então, o encontro pessoal revela a dignidade do outro e permite receber o que mesmo os mais pobres têm para dar.

Será que as pessoas mais vulneráveis não têm um contributo insubstituível para construir uma sociedade mais fraterna? Elas revelam-nos a nossa própria vulnerabilidade e, assim, tornam-nos mais humanos.

  • Lembremo-nos de que, como homem, Jesus Cristo está unido a todo o ser humano. Ele está em cada pessoa, especialmente nos mais abandonados (ver Mateus 25,40). Quando nos aproximamos dos que estão feridos pela vida, aproximamo-nos de Jesus, pobre entre os pobres; estes fazem-nos entrar numa maior intimidade com ele. «Não temas partilhar as provações dos outros, não temas o sofrimento, porque é muitas vezes no fundo do abismo que é dada a perfeição da alegria na comunhão de Jesus Cristo.» (Regra de Taizé)
  • Através de contactos pessoais, saibamos ajudar os pobres. Não esperemos nada em troca, mas estejamos, no entanto, atentos a receber deles o que eles gostariam de partilhar connosco. Deixemos, assim, que os nossos corações se abram e se alarguem.
  • A nossa terra também é vulnerável. Está cada vez mais maltratada pelo mau uso que os homens fazem dela. Ouçamos o grito da terra. Cuidemos dela. Procuremos, em particular modificando o nosso modo de vida, lutar contra a sua destruição progressiva.

 

Terceira proposta: Partilhar provações e alegrias

Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. (Romanos 12,15)

Felizes os que choram, porque serão consolados. (Mateus 5,4)

Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é que é a vossa força. (Neemias 8,10)

 Depois da sua ressurreição, Jesus fica com a marca dos pregos da sua crucificação (ver João 20,24-29). A ressurreição passa a dor da cruz. Para nós, seguindo-o, alegrias e provações podem coexistir; elas juntam-se e tornam-se compaixão.

Uma alegria interior não diminui a solidariedade para com os outros, mas alimenta-a. Ela estimula-nos até a atravessar fronteiras para chegar junto dos que conhecem a dificuldade. Ela alimenta em nós a perseverança para manter o compromisso da nossa vida.

Nos meios favorecidos, onde as pessoas são bem alimentadas, bem educadas e bem tratadas, a alegria está por vezes ausente, como se alguns estivessem cansados e desanimados pela banalidade de sua vida.

O encontro com uma pessoa pobre pode paradoxalmente transmitir uma alegria, talvez apenas uma centelha, mas uma verdadeira alegria.

  • Renovemos sempre de novo o desejo da alegria, profundamente inscrito em nós. O ser humano é feito de alegria, não de desânimo. E a alegria não deve ser guardada para nós próprios, deve ser partilhada, deve brilhar. Depois do anúncio do anjo, Maria pôs-se a caminho para visitar a sua prima Isabel e cantar junto dela (Lucas 1,39-56).
  • Tal como Jesus chorou a morte do seu amigo Lázaro (João 11,35), ousemos chorar diante da angústia humana. Levemos os aflitos nos nossos corações. Ao entregá-los a Deus, não os abandonamos à um inevitável destino, mas os confiamos à compaixão de Deus, que ama todos os seres humanos.
  • Acompanhar os que sofrem, chorando com eles, pode dar coragem, numa indignação, para denunciar uma injustiça, rejeitar o que ameaça ou destrói a vida, e procurar transformar uma situação bloqueada.

Quarta proposta: Entre cristãos, alegrarmo-nos com os dons dos outros

Deus manifestou-nos o mistério da sua vontade, e o plano generoso que tinha estabelecido, para conduzir os tempos à sua plenitude: submeter tudo a Cristo, reunindo nele o que há no céu e na terra. (Efésios 1,9-10)

«Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos!» (Salmo 133,1)

 Deus enviou Cristo ao mundo para unir todo o Universo, toda a Criação, e para fazer regressar todas as coisas a ele. Deus enviou-o para unir a humanidade numa só família: homens e mulheres, crianças e idosos, de todos os horizontes, línguas e culturas, e até mesmo de nações opostas.

Muitos aspiram a que os cristãos se unam para não obscurecer, pelas suas divisões, a mensagem de fraternidade universal de que Cristo é portador. Será que a nossa unidade fraterna poderia ser como um sinal, como uma antecipação, da unidade e da paz entre os homens?

  • Cristãos de várias Igrejas, tenhamos a audácia de nos voltarmos juntos para Cristo e, sem esperar uma harmonia teológica total, nos coloquemos sob o mesmo teto. Escutemos o apelo de um monge copta ortodoxo do Egito que escreveu: «A própria essência da fé é Cristo, que nenhuma formulação pode circunscrever. Por isso, é necessário iniciar o diálogo acolhendo a Cristo que é um só…; comecemos a viver juntos a essência da fé única sem esperarmos por estar de acordo acerca da expressão do seu conteúdo. A essência da fé, que é o próprio Cristo, é baseada no amor, o dom de si mesmo.» (Matta el-Maskine, 1919-2006)
  • Para entrarmos imediatamente neste processo, comecemos por agradecer a Deus pelos dons dos outros. Durante a sua visita a Lund (Suécia) por ocasião do 500º aniversário da Reforma, o Papa Francisco rezou: «Espírito Santo, dá-nos a alegria de reconhecer os dons que foram trazidos à Igreja através da Reforma». Inspirados por este exemplo, reconheçamos nos outros os valores que Deus estabeleceu e que talvez nos façam falta. Procuremos receber a sua diferença como um enriquecimento para nós, mesmo que ela inclua aspectos que nos desconcertam à primeira vista. Encontremos nos dons dos outros o frescor de uma alegria.